segunda-feira, 10 de junho de 2013


Homem baleado ao entrar por engano
em favela perdeu filho há um mês


Estado de Gil Barbosa, internado no Hospital Getúlio Vargas, é grave.
Filho morreu há um mês ao cair do segundo andar de um prédio na Bahia.




 
Foto do engenheiro Gil Barbosa baleado ao entrar por engano na Favela Vila do João (Foto: Reprodução/ Facebook)Gil Barbosa foi baleado ao entrar por engano na
Favela Vila do João (Foto: Reprodução/ Facebook)
O engenheiro baiano Gil Barbosa, de 53 anos, baleado na cabeça no sábado (8) ao entrar por engano na Favela da Vila do João, no Conjunto de Favelas da Maré, no Subúrbio do Rio, perdeu um filho  há um mês em um acidente. O filho teria caído do segundo andar de um prédio na Bahia.
Um amigo de Gil, que preferiu não se identificar, disse que a família do engenheiro está muito abalada com os últimos fatos. O baiano, que mora atualmente em Rio das Ostras, na Região dos Lagos, ia buscar a ex-mulher no Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão), quando recebeu uma ligação dela avisando que já estava em um táxi. A ex-mulher estava hospedada na casa de outro filho na Barra da Tijuca, na Zona Oeste.
A atual esposa de Gil, Rachel Marins, chegou ao Rio na manhã de domingo (9), após receber a informação da irmã do engenheiro. Segundo Rachel, os médicos disseram que o caso de seu marido é grave, porém estável. Gil está sedado. Em relação à falta de sinalização do local onde o engenheiro foi baleado,e la disse que pensará sobre isso depois.
"Isso será visto depois. A minha preocupação agora é o Gil, estou pensando na saúde dele agora. Isso é o mais importante neste momento", disse.
Gil é engenheiro da Prefeitura de Rio das Ostras e veio ao Rio para uma reunião de família. Atualmente ele é casado com Rachel Marins da Silva. Anteriormente, a polícia havia informado que Gil teria ido buscar a atual mulher no aeroporto.
Um amigo de Gil lamentou o ocorrido e reclamou da falta de sinalização. "[O caminho] te joga pra dentro da favela. Ele chegou no lugar errado e na hora errada", disse o amigo,q ue preferiu não se identificar.
O concunhado do engenheiro, Augusto Peixoto, veio de Caxambu, em Minas Gerais, para visitar o parente. "Infelizmente é uma tragédia atrás da outra. Ele acabou de perder o filho de uma forma misteriosa", disse Augusto.
Suspeitos se entregam
Dois suspeitos de terem feito os disparos que atingiram o engenheiro Gil Barbosa na comunidade Vila do João, no Conjunto de Favelas da Maré, se apresentaram ao 22º BPM (Benfica), na tarde desta segunda-feira (10), afirmando serem os autores dos tiros. De acordo com o batalhão, um dos suspeitos tem 17 anos, e o outro se apresentou como Jone Barbosa, 25 anos. Os dois se entregaram afirmando que pretendiam evitar uma incursão da polícia à comunidade. O engenheiro foi baleado ao entrar por engano na favela.
Viatura da PM estava no local na manhã desta segunda (Foto: Renata Soares / G1)Carro da PM estava no local na manhã desta
segunda (Foto: Renata Soares / G1)
Os suspeitos chegaram ao batalhão na companhia de um advogado e com duas pistolas, que teriam sido usadas no dia do crime, no sábado (8). A dupla foi encaminhada para a 21ª DP (Bonsucesso). O engenheiro estava indo buscar sua mulher no Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão), quando recebeu uma ligação dela, avisando que já estaria em um táxi de volta para casa. Gil teria procurado um retorno e entrado por engano na favela.
Após engenheiro ser baleado, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, disse nesta segunda-feira (10) que não fará uma sinalização específica para áreas de risco na cidade. "Não vamos colocar placa para indicar área de violência. O Rio está passando por muitas transformações e uma grande transformação é na segurança pública. Esse comando dos traficantes em determinadas áreas e esse desrespeito pela vida humana que têm que acabar e eles sabem que isso é só uma questão de tempo", declarou Paes durante evento no Centro do Rio.
Na manhã desta segunda, o delegado José Pedro Costa, da 21ªDP (Bonsucesso) informou que um grupo de cinco suspeitos participou da ação, que terminou com o engenheiro baleado. O delegado explicou ainda que pedirá nesta segunda-feira as imagens das câmeras de segurança da Lamsa, concessionária que administra a Linha Amarela, próximo ao local onde Gil foi baleado
Fallta de sinalização
Na manhã desta segunda, a equipe do G1 foi ao local e constatou que não há sinalização indicando a entrada para a Favela Vila do João. Por volta das 9h, um carro da PM estava no local.
A Lamsa, concessionária que administra a Linha Amarela, por onde passava o engenheiro quando foi baleado,  informou que segue todas as regras para instalação de placas de sinalização para vias de maior movimento, como Avenida Brasil, Linha Vermelha e também no sentido do Aeroporo Tom Jobim, mas que não se responsabiliza em sinalizar vias de menor movimento.
Estado grave
O engenheiro está internado no Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, e seu estado de saúde é considerado grave."É indescritível, porque você nunca imagina. Não tem como você não se surpreender, entendeu? É como você, de repente, cair no abismo e não ter onde se segurar", declarou um parente de Gil em entrevista ao Bom Dia Rio.
De acordo com o inspetor Flavio Loureiro,  um catador de lixo que trabalha na Linha Amarela também foi atingido com uma bala nas nádegas e contou que viu quando o engenheiro errou o caminho e em seguida foi atingido por um projétil.
Segundo a polícia, o veículo foi encontrado pelos agentes próximo à UPA do local e o caso foi registrado como tentativa de homicídio.
Caso semelhante
O assistente de direção da TV Globo Thomaz Cividanes dirigia um carro blindado quando entrou por engano na favela do Morro do 18, em Água Santa, na Zona Norte do Rio, na madrugada do dia 19 de maio,  e foi atacado a tiros. Apesar da blindagem, ele foi ferido na perna por uma bala que conseguiu atravessar a porta.


fonte: G1