segunda-feira, 13 de maio de 2013


Polícia do RJ vai criar protocolo para análise de imagens operações



Informação foi passada pela delegada Martha Rocha, chefe da corporação. 
Vídeo mostra policiais civis forjando auto de resistência em comunidade



A  delegada Martha Rocha, chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, disse durante coletiva de imprensa, no começo da tarde desta segunda-feira (13), que a corporação vai criar protocolo para análise de imagens das operações.
"O órgão vai estabelecer um protocolo para analisar as imagens das operações com o  interesse de avaliar o passado e de projetar o futuro. Como não havia essa rotina, permitia que a decisão de analisá-las fosse algo pessoal" declarou a delegada, após o vazamento de imagens de duas operações da Polícia Civil
A comissão, que irá criar um protocolo para analisar os equipamentos, será presidida pelo delegado Glaudiston Galeano, da Corregedoria Interna (Coinpol), e composta pela subchefia relacional, Corregedoria, divisão de tecnologia, polícia técnica e assessoria jurídica.
A Corregedoria da Polícia também fez uma inspeção na manhã desta segunda na sede Saer (Serviço Aeropolicial) no equipamento que grava e  armazena as imagens. "Desde a chegada deste equipamento na polícia, em 2010, não havia um protocolo", afirmou.

No sábado (11), um vídeo exibido pelo jornal "Extra" mostrou a ação da polícia durante uma operação da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) em 2012, na Favela do Rola, em Santa Cruz, Zona Oeste da cidade, onde policiais aparecem forjando um auto de resistência. A ação deixou cinco mortos.
No dia 7, o Fantástico exibiu imagens gravadas durante a operação que matou o traficante Márcio José Sabino Pereira, conhecido como Matemático. No vídeo, policiais aparecem 'caçando' o traficante por cerca de nove quarteirões. Um trecho de aproximadamente um quilômetro de extensão virou uma praça de guerra. Depois da caçada, o traficante foi encontrado morto.
Na ação da polícia na Favela do Rola, uma das vítimas, que estava desarmada, teve o corpo carregado para um bar onde estavam as armas e outros mortos pela operação. A Corregedoria assumiu as investigações sobre a ação. Na noite de domingo (12), a delegada emitiu umcomunicado oficial sobre o caso. No texto, ela promete punir "erros e excessos".
Leia a nota na íntegra: 
"Todas as providências para apurar as circunstâncias da operação da Coordenadoria de Recursos Especiais na Favela do Rola foram tomadas tão logo tomei conhecimento do caso. A Chefia de Polícia Civil não compactua com erros nem excessos que terão punição exemplar, a partir do trabalho da Corregedoria Interna da Polícia Civil. Para dar agilidade ao caso, a Corregedoria também assumiu a investigação dos cinco homicídios provenientes de auto de resistência. Laudos periciais e depoimentos serão analisados com rigor, assim como o tipo de armamento utilizado, o socorro aos feridos e a não preservação do local do crime. A Polícia Civil tem o mesmo interesse da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, que é a busca pela verdade. O papel do policial é proteger vidas e agir dentro da lei. O princípio da Polícia Civil é prender e não matar. "
Operação
Em 16 de agosto de 2012, dois helicópteros sobrevoavam a Favela do Rola em busca de traficantes. Durante a operação, os criminosos se refugiaram no interior de um bar e começaram a atirar em direção à aeronave. Os policiais revidaram. Um dos helicópteros era pilotado pelo comandante Adonis.
O tiroteio durou cerca de seis minutos. O helicóptero desceu e os policiais continuaram a gravar a ação com uma câmera colocada no capacete de um deles. Três corpos foram encontrados em um bar. Contudo, havia um homem morto em outra localidade. No vídeo, o policial confirma que ele não estava armado e os policiais do Core carregam o corpo deste homem por cerca de 70 metros e o deixa no bar em que estavam os outros mortos e as armas.
Em nota, a chefia da Polícia Civil afirmou que o caso foi registrado como homicídio proveniente de auto de resistência e não fez distinção entre os criminosos armados e o homem encontrado na casa. No dia 16 de agosto do ano passado, a nota da polícia, entretanto, não mencionava mortes, dizia apenas que cinco suspeitos haviam sido baleados.
A Polícia Civil afirmou, na noite de sábado (11), que três dos cinco mortos na operação tinham antecedentes criminais, contudo, declarou que não era possível confirmar, neste mesmo dia, se o homem arrastado estaria entre estes três homens.
Disputa
Segundo o Jornal Nacional, o vídeo é exposto em um momento de disputa interna na Polícia Civil. A briga envolve o subchefe operacional da Polícia Civil, Fernando Veloso, o piloto Ronaldo Ney Barbosa Mendes e Adonis Lopes de Oliveira, ex-comandante do SAER, que é o setor responsável pelas operações aéreas da Polícia Civil.
Desde julho de 2012, Ney está afastado por Adonis devido a excesso de faltas ao trabalho. A Corregedoria abriu sindicância para apurar essas faltas.
Ronaldo Ney também é investigado pelo Ministério Público por supostamente ter ficado com R$ 120 mil de um grupo de alunos que pagou por aulas de pilotagem, que não foram dadas. Procurado, Ney não foi encontrado para comentar as acusações.
fonte: G1.com