domingo, 5 de maio de 2013


O eleitorado fiel do Nordeste pode trair o PT?



Na edição desta semana a revista Época fez um balanço sobre o Nordeste, o PT e as eleições de 2014. Caraterizando e ressaltando a região que hoje sofre com a seca, a publicação revela um local devastado. Entre as agruras da seca e a recente bonança econômica. Entre a morte do gado e o Bolsa Família. Entre Dilma e Eduardo. No sertão de Pernambuco, a cidade de Calumbi, a 415 quilômetros do Recife, deu em 2010 96,5% de seus votos a Dilma Rousseff (PT). No mesmo ano, 98,5% de seus eleitores votaram em Eduardo Campos (PSB) para governador. Em 2014, é provável que tenham de escolher entre um e outro.

Calumbi é um exemplo vivo da lua de mel entre nordestinos e o Partido dos Trabalhadores e seus aliados na última década – que garantiu ao PT as vitórias nas duas últimas eleições presidenciais. Em 2006, Luiz Inácio Lula da Silva obtivera 95,1% dos votos em Calumbi, praticamente o mesmo índice que ajudou a levar Dilma à Presidência. O desempenho de Campos em 2010, quando era aliado fiel de Lula, impressiona ainda mais em números absolutos: 3.577 votos na cidade, contra 55 de todos os adversários.

Os vultosos investimentos públicos e privados da última década habituaram o Nordeste a crescer mais que o país. A combinação entre pujança econômica e implantação dos programas sociais gerou uma verdadeira aversão a candidatos de fora do campo político que governa a região. De 1989 a 2002, a distribuição de votos para presidente repetia no Nordeste a divisão nacional, com variações sempre abaixo de 6 pontos percentuais. Em 2006, isso mudou. O Nordeste passou a pesar mais em favor dos candidatos do PT e tornou-se mais decisivo no pleito. Em 2006, a diferença entre Lula e Geraldo Alckmin (PSDB) no segundo turno foi de 20 milhões de votos. Sem o Nordeste, ela cairia para pouco mais de 6 milhões. Dos 12 milhões de votos que Dilma teve a mais que José Serra (PSDB) em 2010, 10,7 milhões vieram do Nordeste, onde ela venceu por 70% a 29%.


Pouco mais de 40% das famílias nordestinas recebem hoje recursos do Bolsa Família – 7 milhões de um total de 16,5 milhões. É uma injeção mensal de mais de R$ 3 bilhões na economia da região. O aumento real do salário mínimo também fez diferença. São 8,2 milhões de pensionistas e aposentados – quase 90% recebendo um salário mínimo. Só a Previdência Social põe outros R$ 6,4 bilhões todo mês na região. As transferências federais para os Estados e municípios do Nordeste também aumentaram. O Fundo de Participação dos Municípios e o Fundo de Participação dos Estados mais que dobraram durante o governo Lula na região. O número de transferências voluntárias de recursos também cresceu, com aliados políticos do governo federal no comando dos principais Estados (Bahia, Pernambuco e Ceará). A região passou ainda a atrair investimentos em infraestrutura com obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Entre 2005 e 2010, o crescimento anual médio do PIB do Nordeste foi de 5,3%, contra 4,7% no país.

Nenhum Estado se beneficiou tanto quanto Pernambuco, governado por Eduardo Campos. Em 2003, o PIB estadual era de R$ 39 bilhões. Em 2006, quando Campos assumiu, já atingia R$ 55 bilhões. Em 2010, ano em que a economia pernambucana cresceu 9%, atingiu R$ 95 bilhões. O nível de repasses de Brasília para Pernambuco cresceu 160%, entre 2004 e 2012. “Houve investimentos em todas as áreas, como siderúrgica, automóveis, estaleiros, muito mais expressivos do que ocorreu em Salvador nos tempos de ACM (Antônio Carlos Magalhães, ex-governador baiano)”, afirma Péricles.
fonte: bocal news.